Professora da UFSCar faz oficina sobre narrativas pedagógicas em Seminário com professores da educação básica
Por Coryntho Baldez
A professora Bárbara Sicardi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apresentou a oficina "Escuta e escrita de si e o anúncio de inéditos viáveis", durante o I Seminário com Professoras – Entre Narrativas e Saberes: a Construção da Docência na Perspectiva da Justiça Social, realizado no Salão Dourado do Palácio Universitário da UFRJ, em 20 de julho.
Promovido pelo CFP e pela Faculdade de Educação (FE), o encontro reuniu professores da educação básica e da universidade, com atividades que envolveram docentes de duas escolas municipais de Pedra de Guaratiba (Rivadávia Manuel Pinto e Professora Elisa Joaquina Duarte Peixoto), que integram o projeto Casa Comum do CFP.
Para ela, a principal contribuição do seminário foi reforçar que a formação de professores precisa ser construída em diálogo permanente com aqueles que vivem diariamente a realidade das escolas públicas.
"A universidade, no que diz respeito ao compromisso com a formação de professores, não pode assumir esse compromisso sem considerar quem faz efetivamente a educação acontecer, que são os professores da educação básica”, assinalou.
A oficina propôs um espaço de “pesquisa-vida-formação” para que os participantes resgatassem seus percursos profissionais e pessoais.
“A ideia é promover um espaço-tempo para resgatar o percurso trilhado no processo de constituição e atuação profissional, publicizando vivências e anunciando inéditos viáveis”, explicou Bárbara ao iniciar a oficina.
Experiência vivida e experiência formadora
A pesquisadora lembrou que a documentação pedagógica é um movimento fundamental para narrar os cotidianos escolares. Para ela, a narrativa permite transformar a experiência vivida em experiência formadora, especialmente quando compartilhada com outros.
Bárbara destacou ainda a importância da experiência como aquilo que nos passa e nos transforma, ecoando o pensamento de Jorge Larrosa.
“A palavra experiência nos serve para afirmar nossos desejos de viver”, disse. Ela também mencionou o filósofo Paul Ricoeur para explicar que é contando nossas próprias histórias que conferimos identidade a nós mesmos.
A docente defendeu que, em tempos de apagamento das memórias e de narrativas hegemônicas, escrever e compartilhar experiências pessoais e profissionais é um ato de resistência.
“Como chegamos até aqui e que histórias escolhemos narrar?”
Durante a oficina, os participantes foram convidados a responder a três perguntas centrais: Como chegamos até aqui?, Quais aprendizagens emergem deste processo? e Que história escolhemos narrar sobre este processo?.
Em seguida, utilizaram a estratégia dos "brasões" – uma ferramenta imagética e simbólica – para representar suas territorialidades, dificuldades, qualidades e referências.
“Os brasões nos ajudam a dizer o que temos a dizer pedagogicamente e o que eles dizem sobre nós, adultos educadores”, explicou Bárbara. Ao final, houve socialização e diálogo sobre como cada um olhou a sua própria trajetória.
A oficina também abordou diferentes formatos de narrativas educativas, como inventários, crônicas do cotidiano, cartas, portfólios reflexivos e diários de bordo.
A professora encerrou com a exibição do poema "Guardar", de Antonio Cícero, na voz de Fernanda Montenegro, reforçando a importância de registrar e guardar as memórias que nos constituem.
