Por Coryntho Baldez
Foto: Mesa de abertura contou com representantes da Capes, da SME/RJ, do CAp/UFRJ, da Reitoria e de instâncias universitárias (Daniel Gallo)
O I Simpósio de Estágio Supervisionado e Práticas de Ensino (I Sespe) mobilizou cerca de 400 participantes ao longo de três dias de atividades no campus da Praia Vermelha da UFRJ e no Teatro do Instituto Benjamin Constant (IBC). O evento reuniu professores da educação básica e do ensino superior, estudantes de licenciatura e de pós-graduação, pesquisadores e gestores educacionais, interessados em discutir os desafios e as possibilidades da formação docente no país.
Realizado entre 3 e 5 de março, o simpósio foi organizado pelo Complexo de Formação de Professores (CFP) e pela Faculdade de Educação (FE), com o objetivo de estreitar o diálogo entre universidade e escola pública em torno do estágio supervisionado e das práticas de ensino. O I Sespe também foi marcado pela apresentação de pesquisas e trocas de experiências e saberes, fortalecendo as redes de colaboração entre professores supervisores, orientadores e licenciandos.
Durante os três dias, o público circulou por diferentes espaços do campus da Praia Vermelha, participando de rodas de conversa no Aulário da Praia Vermelha e mesas de debate no auditório Manoel Maurício e no Teatro do IBC, espaço que abrigou ainda a sessão de abertura, a conferência e o encerramento do I Sespe.
A programação cultural contou com a Equipe de Ginástica Rítmica da Mangueira e com o tenor Saulo Laucas, bacharel em canto pela Escola de Música da UFRJ – pessoa com deficiência visual, o artista construiu uma trajetória dedicada à música. No encerramento, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Aprendizes do Salgueiro empolgou os presentes com uma apresentação primorosa de jovens ritmistas e passistas.
Equipe de Ginástica Rítmica da Mangueira se apresentou no primeiro dia do Simpósio. Foto: Daniel Gallo
“Precisamos de políticas que ampliem oportunidades”
Representando a Secretaria Municipal de Educação na mesa de abertura – que ainda contou com representantes da Capes, do CAp/UFRJ, da Reitoria e de instâncias universitárias – o subsecretário de Ensino, Adriano Carneiro, destacou a importância da parceria entre universidade e rede pública de educação para a formação de novos professores.
“O campo de estágio é fundamental para que o futuro professor compreenda a realidade da educação pública e desenvolva um aprendizado sólido sobre os desafios concretos da escola”, afirmou.
Carneiro também mencionou iniciativas desenvolvidas em parceria com a UFRJ, como o projeto Casa Comum, que desenvolve diversas ações formativas e reúne unidades escolares distribuídas em várias regiões do município. Outro exemplo é o programa Tutor Universitário Carioca (TUCa), que oferece estágio remunerado a estudantes de licenciatura e amplia a presença de universitários nas escolas.
Para o subsecretário, essas iniciativas contribuem para que a formação docente dialogue diretamente com a realidade educacional: “A educação é um fator de transformação social e precisamos construir políticas que ampliem oportunidades e promovam maior equidade”.
“Esse é um espaço de partilha e construção coletiva”
Em seguida, a coordenadora de Estágio Supervisionado da Faculdade de Educação (FE) da UFRJ, Priscila Andrade Magalhães Rodrigues, destacou o caráter formativo do encontro e a importância da troca de experiências entre universidade e escola.
Segundo ela, as atividades do simpósio criam um espaço privilegiado para que professores da educação básica, docentes universitários e estudantes compartilhem reflexões sobre o estágio.
“Nas rodas de conversa ouvimos professores da escola, colegas da universidade e estudantes falando sobre o estágio. São discussões que só acontecem plenamente quando conseguimos construir esse espaço coletivo de diálogo”, afirmou.
Para Priscila, a aproximação entre os diferentes atores envolvidos na formação docente é fundamental para consolidar uma formação de qualidade. “A parceria entre escola e universidade é o caminho para fortalecer a formação dos nossos professores”, disse.
“Parceria entre universidade e escola é território de resistência”
A coordenadora do curso de Pedagogia da FE/UFRJ, Núbia de Oliveira Santos, ressaltou que o simpósio representa um marco na articulação entre a universidade e as redes de ensino que acolhem estudantes em estágio.
Ela lembrou que sua própria trajetória acadêmica está ligada ao acompanhamento de estágios e às práticas de ensino, o que reforça a importância de iniciativas como o Sespe.
“A formação docente se consolida efetivamente na parceria entre universidade e escola, que são espaços complexos e atravessados por diferentes culturas e realidades”, frisou.
Na avaliação da professora, o simpósio nasce com o propósito de aprofundar esse diálogo e criar novos arranjos formativos. “Essa parceria é um território de resistência e compromisso social, onde teoria e prática se encontram e se fortalecem”, assinalou.
“Simpósio reafirma formação docente como missão da universidade”
A coordenadora adjunta de Formação e Pesquisa do Complexo de Formação de Professores (CFP), Giseli Barreto da Cruz, destacou que a realização do simpósio reflete um projeto institucional mais amplo da UFRJ voltado à valorização da formação docente.
Segundo ela, discutir estágio supervisionado é discutir o próprio papel social da universidade: “A formação de professores não é uma agenda periférica da universidade. Ela é parte constitutiva da nossa missão institucional”.
Giseli ressaltou que o estágio não deve ser visto apenas como uma etapa final ou burocrática do curso de licenciatura, mas como espaço central de produção de conhecimento pedagógico e de reflexão crítica sobre a prática docente.
“O estágio é um lugar onde se constrói a identidade profissional do professor, em diálogo com a realidade da escola e com os desafios concretos da educação brasileira”, disse.
Para ela, a realização do simpósio em um contexto de desafios institucionais e de restrições orçamentárias tem um significado político. “Promover esse encontro é reafirmar o compromisso da universidade pública com uma formação docente crítica e socialmente responsável”, realçou.
“Nenhuma política substitui o papel fundamental do estágio dentro dos cursos”
Representando a Capes, a coordenadora-geral de Formação de Docentes e Valorização das Licenciaturas, Lorena Lins Damasceno, ressaltou que a discussão sobre estágio supervisionado é estratégica para a formulação de políticas públicas voltadas à formação de professores.
Ela acentuou que programas do órgão, como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), buscam justamente fortalecer a relação entre escola e universidade.
“Essas políticas alimentam e são alimentadas pelas experiências concretas das instituições de ensino superior”, afirmou. Apesar da importância dessas iniciativas, Lorena ressaltou que nenhuma política substitui o papel fundamental do estágio bem estruturado dentro dos cursos de licenciatura.
“Os programas podem apoiar e fortalecer as ações, mas nada substitui um estágio consolidado, responsável e bem organizado dentro das instituições formadoras”, realçou.
“É no estágio que o licenciando mergulha no cotidiano escolar”
Em seguida, a diretora do Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ, Cassandra Marina da Silveira Pontes da Silva, destacou o papel da escola como espaço central da formação docente.
Segundo ela, é no cotidiano escolar que os futuros professores entram em contato com a complexidade da educação e com os desafios sociais que atravessam a escola pública.
“É no estágio que o licenciando mergulha no cotidiano escolar, enfrenta problemas reais e começa a construir respostas pedagógicas para essas situações”, frisou.
A professora também observou que as escolas enfrentam desafios importantes relacionados a questões de gênero, desigualdade social e violência. Para ela, discutir essas questões no âmbito da formação docente é essencial.
“Não se trata de cumprir horas obrigatórias”
A diretora da Faculdade de Educação da UFRJ, Ana Paula Abreu Moura, enfatizou que o estágio supervisionado ocupa um lugar central na formação de professores e precisa ser reconhecido como espaço de produção de conhecimento.
“Não se trata apenas de cumprir horas obrigatórias. O estágio é um momento em que o licenciando observa, experimenta e reflete sobre a prática pedagógica”, afirmou. Ela sublinhou que muitos trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos na faculdade surgem das experiências vividas pelos estudantes durante o estágio.
Segundo a diretora, a FE/UFRJ tem a responsabilidade institucional de coordenar o estágio supervisionado das licenciaturas, em diálogo com diversas unidades acadêmicas e redes de ensino.
“É uma grande responsabilidade, mas também um motivo de orgulho, porque sabemos da importância dessa etapa para a formação dos professores”, frisou.
A importância de espaços presenciais no pós-pandemia
A superintendente de Integração e Articulação da Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ, Bárbara Tavela da Costa, reafirmou a importância do simpósio como iniciativa que articula ensino, pesquisa e extensão.
Para Bárbara, eventos como o simpósio ganham ainda mais relevância após o período da pandemia, quando a comunidade acadêmica percebeu o valor dos espaços presenciais de debate e convivência.
“Um evento permite que a gente se encontre, reflita, discuta e crie parcerias que muitas vezes não seriam possíveis no cotidiano. Iniciativas como essa fortalecem a construção de redes de colaboração entre pesquisadores, professores e estudantes”, disse.
Formação docente e compromisso com a educação pública
Representando a Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a professora Márcia Serra Ferreira ressaltou o significado de compartilhar a mesa com colegas que marcaram sua formação acadêmica e profissional.
Segundo ela, muitos dos projetos e reflexões que orientam atualmente seu trabalho na Capes foram construídos em diálogo com professoras e pesquisadores que atuam na universidade e nas redes de ensino.
A professora também enfatizou o compromisso histórico da FE/UFRJ com a formação de professores voltada para a democracia, a equidade e a valorização da escola pública.
Em sua avaliação, iniciativas como o simpósio contribuem para fortalecer o debate sobre políticas de formação docente e ampliar o diálogo entre universidade, sistemas de ensino e instituições responsáveis pelo financiamento e pela regulação da educação.
“CFP busca nova institucionalidade para a formação de professores”
A coordenadora-geral do CFP/UFRJ, Carmen Gabriel, destacou a importância do simpósio como iniciativa que fortalece a articulação entre a Faculdade de Educação e o Complexo de Formação de Professores. Segundo ela, essa aproximação institucional representa um passo importante na consolidação de políticas de formação docente dentro da universidade.
Segundo Carmen, a consolidação do CFP como instância da estrutura universitária representa uma conquista importante para ampliar a articulação entre diferentes unidades acadêmicas e redes de ensino.
Ao mencionar o papel do estágio supervisionado, ela o apontou como um componente incontornável do processo formativo: “É nesse espaço que os licenciandos entram em contato direto com a realidade da escola e com os desafios concretos do trabalho docente”.
Carmen destacou ainda que o Complexo busca viabilizar uma nova institucionalidade para a formação de professores, com base na cooperação entre universidade e escolas públicas.
“Nesse modelo, a escola não é vista apenas como espaço de aplicação de conhecimentos produzidos na universidade, mas como lugar de produção de saberes pedagógicos e de experiências formativas fundamentais para o desenvolvimento profissional docente”, frisou.
“Articulação universidade-escola é condição para formar professores”
A pró-reitora de Graduação da UFRJ, Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes, ressaltou em sua fala a importância do simpósio para fortalecer a integração entre diferentes setores da universidade envolvidos na formação de professores.
Para ela, a presença na mesa de representantes da Faculdade de Educação, do Complexo de Formação de Professores, da extensão universitária e das redes de ensino realça o caráter coletivo desse processo formativo.
Segundo a pró-reitora, a universidade vive um momento de revisão curricular nas licenciaturas, o que exige diálogo entre as diferentes unidades acadêmicas e instâncias administrativas: “Nesse contexto, o estágio supervisionado e as práticas de ensino ocupam importante papel na organização dos cursos de licenciatura”.
Maria Fernanda também destacou a relevância da articulação entre universidade e redes da educação básica: “É uma condição fundamental para que os cursos consigam formar professores preparados para enfrentar os desafios da escola contemporânea. E Iniciativas como o simpósio contribuem para consolidar esse diálogo institucional”.
Formação docente como responsabilidade institucional
Encerrando a mesa de abertura, a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, destacou a importância do simpósio para a universidade e para as instituições parceiras envolvidas na formação de professores. Ela agradeceu a presença de representantes da Secretaria Municipal de Educação, da Capes e do Instituto Benjamin Constant, que sediou a atividade.
A vice-reitora ressaltou que iniciativas que promovem o debate sobre estágio supervisionado e práticas de ensino são fundamentais para fortalecer a qualidade da formação docente na UFRJ.
Cássia também destacou o papel do Complexo de Formação de Professores e de programas nacionais, como o Pibid, na valorização das licenciaturas e no incentivo à escolha pela carreira docente.
Segundo ela, essas iniciativas contribuem para ampliar o interesse dos estudantes pelos cursos de formação de professores e para fortalecer a relação entre universidade e escola.
Veja a abertura do I Sespe.
